Blog do Professor Lindivaldo
blog do Professor Lindivaldo
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
VERSOS DA BOA LEITURA
- Olá, gente amiga,
- Ler é muito bom,
- Quem lê tem boas ideias
- Não perca esse hábito de vista
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
PERISSOLOGIA
“O prefeito municipal, retornando de novo às suas atividades diárias, proferiu uma breve alocução, a qual retratava sobre seus projetos antecipadamente planejados, cujo objetivo era de realmente tornar práticas suas promessas de campanha.”
Em seguida perguntou aos seus alunos:
- Há algum equívoco nesse texto?
Um momento de silêncio tomou conta dos discentes, até que a jovem Samara explanou: - Sim, professora! Há a repetição por diversos termos de um pensamento já expresso, caracterizando PERISSOLOGIA.
- Muito bem, Samara! Enfatiza a professora Zilda. – Então conta para a turma o que é PERISSOLOGIA. Continuou.
Como que se estivesse ministrando aula de português, a jovem Samara explica:
- PERISSOLOGIA se caracteriza como sendo um vício de linguagem (semelhante ao pleonasmo vicioso), que consiste no hábito de repetir uma ideia anteriormente expressa, tornando assim o discurso meramente prolixo, sem que novidade alguma seja acrescentada.
Samara continuou:
- Se suprimir os termos que apenas retomam a noção já expressa (municipal, de novo, breve, antecipadamente), o texto ficará bem mais claro e objetivo.
Samara foi até à lousa e reescreveu o texto da seguinte forma, para exemplificar:
“O prefeito, retornando às suas atividades diárias, proferiu uma alocução, a qual retratava seus projetos, cujo objetivo era de realmente tornar práticas suas promessas de campanha.”
Repleta de orgulho, por conta do desempenho de sua aluna, a professora Zilda parabeniza Samara, motiva a classe a se aperfeiçoar na produção textual e finaliza a aula expressando a afirmação dos renomados autores Celso Cunha e Lindely Cintra: “Quando um pleonasmo nada acrescenta à força de expressão, quando resulta apenas da ignorância do sentido exato dos termos empregados, ou de negligência, é uma falta grosseira.”
sábado, 23 de julho de 2011
CORDEL DA REFORMA ORTOGRÁFICA
- Minha caneta eu peguei
- Pra escrever o que sucedeu
- Na grafia portuguesa
- A reforma aconteceu
- Pouca coisa alterou,
- Mas a mudança se deu.
- Então preste atenção
- Faça nota dessa lista
- Pois a partir de 2013,
- Tá valendo a nova escrita
- Ficará todo perdido
- Quem ignorar essa dica.
- Três simpáticas letrinhas
- No alfabeto adentraram
- Outrora excluídas,
- Pro ABC se achegaram
- Agora K, Y e W
- Por aqui se instalaram.
- O trema se deu mal
- Que Infeliz sinalzinho
- O U ficou solitário,
- Perdeu o amiguinho
- O trema desapareceu
- Morreu o coitadinho.
- Mas não parou por aí
- Surgiu outro embaraço
- Acentos de algumas paroxítonas
- Sumiram do pedaço
- Agudos e circunflexos,
- Foram mandados pro espaço.
- Para finalizar
- Tenho um recadinho
- O emprego do hífen
- Alterou um pouquinho
- Diminuiu o número de normas
- Para o uso do tracinho.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
HÁ / A
ONDE / AONDE
sábado, 4 de junho de 2011
ORIGEM DO TERMO ETC.
Diálogo entre um professor e uma mãe de estudante:
- Olá, dona Marieta! Tudo bem?
- Tudo, professor. E com o Senhor?
- Tudo bem. E o que conta de novo?
- Estou comprando o material escolar para meu Filho Tiago estudar.
- Que bom! Comprar caderno, livro, caneta, lápis etc. é um bom investimento.
- Professor, não me leve a mal, mas dessas coisas que o senhor falou aí, eu comprei somente caderno, livro, caneta e lápis. Esse tal de “etc” eu nem sei o que é.
- Ká, ká, ká! Nem poderia comprar, né, dona Marieta?! Afinal o termo “etc” não se trata de material escolar algum.
- E se trata de que então, professor?
- Eu explico. O termo “etc” é a abreviatura da expressão latina et cetera, que significa “e as demais coisas”.
- Como assim?
- Ele geralmente é utilizado no final de uma série de enumerações, para deixar claro que há outros elementos que cabem no complemento da lista. Por exemplo, quando eu digo que a senhora comprou caderno, livro, caneta, lápis etc., estou tentando dizer que o “etc” indica o restante do material escolar que a senhora comprou. Entendeu?
- Ah, sim! O senhor tá explicando que além desses, eu comprei outros materiais tipo borracha, lápis de cor, giz de cera etc. Ká, ká, ká...
- Isso mesmo, a senhora captou a mensagem, heim?! Ká, ká, ká...
- Literalmente, eu estou aprendendo a lição...
- Mas tem uma informação importante.
- Qual?
- É a questão interessante e polêmica a respeito uso da vírgula antes de introduzi-lo numa frase. Como se trata de uma abreviatura de et cetera e o et latino equivale à nossa conjunção "e" a vírgula não é necessária. Embora alguns teóricos defendam o seu uso, com base na frequência com que esse tipo de construção aparece na escrita.
- Hum, interessante. Mas o senhor quer saber de uma coisa?
- O quê?
- Com ou sem o emprego da vírgula nosso papo rendeu conhecimento, aprendizagem etc. Ká, ká, ká...
- Com certeza! Ká, ká, ká...
domingo, 22 de maio de 2011
O TESTAMENTO
Um homem rico, sem filhos, sentindo-se morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim:
“Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do mecânico nada aos pobres”.
Não teve tempo de pontuar – morreu.
Eram quatro concorrentes. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”
A irmã do morto chegou em seguida com outra cópia do testamento e pontuou assim:
“Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”
Apareceu o mecânico, pediu uma cópia do original e fez estas pontuações:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”
Um juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomou outra cópia do testamento e pontuou deste modo:
“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico? Nada! Aos pobres.”
(Adaptado de Amaro Ventura e Roberto Augusto Soares Leite. Extraído do livro Gramática, texto, reflexão e uso. Cereja e Magalhães)
sábado, 23 de abril de 2011
MILHO DE PIPOCA
- A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que deve ser.
- O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
- O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
- Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
- Assim acontece com gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
- São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
- O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
- Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.
- Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
- Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação, pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
- Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
- Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece:
- BUM!
- E ela aparece como outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.
- Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo a esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisas mais maravilhosas do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
- E você o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?
- Texto de RUBEM ALVES
